16/11/14

Carnet de Bal




Estava ali quando as colunas na praça rugiram um tango. Levantou-se do murete da fonte ajeitando o seu ataviado bem-posto. Pousou o chapéu e lançou-se em deleite romântico num pax de deux que o fazia esvoaçar sem tempo nem gravidade. Os olhos vidraram flumíneos e piscos enquanto, seguro nos passos, a conduziam firmes num enlace justo que a fazia levitar, transparente.

Os outros velhos sentados em tertúlia continuaram sem que parecesse surpreendê-los que o seu par, Ela, nunca tivesse sido perdida.
Só eu, tonta sem ter entendido, sorri.


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