19/11/14

A ode à borboleta.



Há sempre um primeiro beijo.
Há os que colocámos legenda e os esfumados no tempo pelos quais debutámos em qualquer coisa maior. Talvez mais que o nome ou rosto que os emoldurou, relembram-nos o quão tantalizador é o momento que precede todos os outros, assim, numa espécie de nostalgia de bruaá cá dentro.

Há sempre um primeiro toque.
O cheirar perto a antecipar o gosto no entreabrir de lábios, sentir o relevo dos dentes e o adejar de línguas. Uma viagem a descobrir o jeito, os lentos, os arranques, um passeio com pausas para a fotografia enquanto expiramos fundo para arejar as volutas de calor ao passar cruzamentos de narizes canhotos...

Há-os dados em alta definição esbugalhados de surpresa ou inebriados, cerrados num coleante rastejar lânguido ou outras vezes, em arremesso sôfrego enrolados em carne e saliva. Alguns acontecem  na rua, no sofá, às claras. Uns roçam o desafio e carburam a tesão. Há-os roubados a apanhar algo do chão, os que nos esticam e esmagam contra uma parede, os de olhos nos olhos em romântica vertigem estrábica.  Houve-os de mãos que sobem do pescoço à nuca, os do slow, os dados em antecipação no prenúncio de outros molhados ou trocados naquele cruzar fugidio de passa - não passa.
Há-os cegos e surdos na entrega e aqueles extraordinariamente convictos que evangelizam.

E alguns, alguns, impregnam tanto que ficam.



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