10/06/14

Soothing





Ontem sonhei que não me querias bem.

Disseste-o ao telefone enquanto atravessava o jardim  do Alto de Santo Amaro depois de ter saído sozinha de um qualquer restaurante que não vem no mapa. Liguei-te e respondeste-me que éramos uma perda de tempo. Não acreditei. Tornaste-te mais credível. Magoaste-me. Desliguei o telefone. Liguei de novo. Atendeste. Argumentei porque não concordava.  Não te convenci. Acabei irada. Estava a chover. Escorria gotas salgadas pelo rosto. Desliguei. Liguei de novo. Tentei provar-me. Tornaste-te condescendente. Achei-te aberrante e desliguei. Pensei pedir um intervalo ao sonho. Engasguei-me em soluços (antes te insultasse). Chorei tanto que acordei com beicinho. Estavas aninhado a mim com o teu nariz a cair da minha nuca ao pescoço. Apeteceu-me acordar-te e insultar-te pelo sonho. Virei-me e fiz barulhos. Enconchaste-me mais. Deixei de me conseguir  mexer com descair íngreme do teu corpo a paralisar o meu. Empurrei-te. Não deixaste.  Afastei-te o rosto para o lado e deste-me beijinhos na mão.
Deixei ficar a mão.
Deste mais beijinhos.

Pronto. 'Tá bem. Já passou.


"Chá, bolachas e caxemira" by ATP

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