20/03/14

A escola de Virtudes

   


Ia entrar quando te vi. Tomo consciência que por cima de mim não chove, mas que tu vens saída do mar. Sorrio e penso que és uma sereia que se perdeu há anos e não sabe que já não tem cauda.  Paro por baixo das arcadas, acendo um cigarro e espero por ti.
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Eram 10 para a meia-noite, tinha acabado um turno a encaixotar revistas e a colar etiquetas.  Desço uma rua íngreme, escorrego molhada  agitando os braços a tentar proteger-me de mais gotas que encharcam a camisola de lã. Picam quando ensopadas e os sapatos, reparam, fazem barulhos e parecem barcaças em mar alto a entornar água. O cabelo escorre como os restos de rímel em linhas escuras e sem graça coladas ao rosto, e eu sinto-me um monte de miséria pronto a ser torcido para um balde de águas passadas. a validade expirou.
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- Olá..Aqui não chove.
- (...) hã? ..Olá...Pois, mas tenho de ir.
- Não vás já.  Entra e obe... fiz um bolo, dividimos. Eu parto, tu escolhes...



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