22/05/14

Ao toque de caxemira na pele



Estou a caminho. Espero-te ali, depois de virar aquela curva com relevé centrífugo e sair disparada até ricochetear no teu peito que amortece o golpe e por onde deslizo em refluxo a ressacar no teu ombro, queria-o esponja e ensopá-la. Que não a espremesses para não perderes uma gota de mim, as que contêm os meus seminais, desovas da minha penumbra. Fazeres delas lago. Beijo-te com as duas mãos em concha a emoldurar-te o rosto, a atracá-lo ao meu como barca a pontão. Olhar-te os olhos verde-algas, deixá-las amarrar-me as pernas os braços, afundar-me em oblívio e ganhar guelras para respirar no teu fundo denso. Alapar-me e ser levada na corrente e tirares-me o peso, amoleceres-me a casca e me deixares  esvoaçar como medusa. Acolhe-me e alimenta-me de plâncton, dos ínfimos de pequenos tudos. Abro e fecho a boca como peixe sem som, inundo-a de ar, transformo-me em bolha espero que me entendas no meu ir e vir sem nexo, ensandecido por ter passado para dentro dela por osmose e rodar como ponteiro contra o tempo em voltas ao avesso num aquário em forma de malga.
Olha-me com lupa e vê-me gesticular lá dentro a olhar-te por uma grande angular que te transforma  num grande nariz e rio-me por to querer mordiscar enquanto espero, sentada numa poltrona de areia que criei a partir das miríades que lasquei em madre-pérola, que me inspires.
...Se me espirrares, volta por favor num redondinho, ao princípio do texto...

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